Review: "Screaming Triumph" - Justabeli

Há duas décadas aniquilando inimigos como uma máquina de guerra, o Justabeli lançou no final de julho uma nova e avassaladora arma de destruição em massa. Intitulado Screaming Triumph (via Xaninho Discos/Terror Music/Black Seal Prod/Impaled Records), o álbum solidifica o nome da banda como uma potência na cena da música extrema no Brasil. 

Sucedendo os aclamados Hell War (2009), Cause The War Never Ends... (2015) e Intense Heavy Clash (2019), Screaming Triumph tem produção assinada por Victor Prospero. A arte da capa, que retrata triunfantes hordas demoníacas, é uma criação da artista Tatiana Bellini (Satvrnvs Noctvrna Art). 

Ríspido e brutal como manda o figurino, Screaming Triumph abre com a destruidora Death to the Weak (T.E.S.T.T.), uma composição que evoca a aura apocalíptica e bélica dos suecos do Marduk. Nesta faixa, o guitarrista Julio Blasphemer desfere riffs palhetados que mergulham na essência dos húngaros do Tormentor, resultando em uma avalanche sonora sem precedentes. Em contraste, a faixa-título revela uma banda multifacetada, na qual ela apresenta uma composição repleta dos elementos sombrios característicos do black/death extremo, mesmo sem se lançar a toda velocidade.

Em Kneel Down Before Satan, o Justabeli resgata a fórmula clássica do black/death. Nessa composição, o baterista Igor "The Big Beast" Nogueira justifica o apelido e domina a faixa com uma performance fenomenal atrás da bateria. Quarta faixa na tracklist, Baphomet desponta como o ponto alto do álbum. Com uma levada cadenciada e atmosférica, apresentando até mesmo elementos melódicos, a faixa assume uma profundidade reflexiva, graças à interpretação em português do vocalista e baixista War Pherys.

A breve "calmaria" logo é dissipada pela intensidade de Hell's Lireres Attack, que prepara o terreno para duas composições envolventes: Clemency is Not Our Way e It's Time to Fight. Ambas demonstram uma conexão com as raízes do metal tradicional, sendo que a primeira exibe uma sonoridade próxima a do Immortal no álbum Sons Of Northern Darkness, enquanto a segunda trilha um caminho mais influenciado pelo speed metal.

E, enfim, chegamos ao momento mais aguardado em Screaming Triumph. Desde o anúncio, a expectativa para o cover de The Gate Of Nanna, do Beherit, despertava curiosidade; e felizmente, todas as expectativas foram plenamente correspondidas! Mantendo-se fiel às linhas originais, o Justabeli imprimiu suas próprias nuances sonoras, resultando em um tributo de alto nível à lenda finlandesa. Encerrando o álbum, White as the Snow emerge como um épico melancólico, completando a jornada proposta pelo disco de maneira bem introspectiva.

Através de cada riff, de cada blast beat e de cada verso rosnado, Screaming Triumph é a afirmação do poder destrutivo do Justabeli. Aqui, a banda não se contenta apenas em buscar influências no passado, mas ela molda o presente à sua maneira e sinaliza para um futuro no qual o topo é o limite. 

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